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Noite e Neblina: Para entender o Nazismo

Noite e Neblina, 1955, Alain Resnais

Diz o ditado alemão: “Se há dez pessoas numa mesa, um nazista se senta, e nenhuma pessoa se levanta, então existem onze nazistas”.

Poderia aqui, neste artigo, falar dos diversos filmes que pululam o inconsciente coletivo quando falamos sobre a Segunda Guerra Mundial ou ainda dos horrores nazistas. Filmes como Olga, 2004, de Jayme Monjardim, ou A Lista de Schindler, 1993, de Steven Spielberg, são ótimos exemplos de longas-metragens que retratam com maestria uma das fases mais sombrias da humanidade.

Porém, no presente momento, 77 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial e seus horrores, como o holocausto, é mais que necessário mostrarmos a realidade crua e ardida deixada pelo regime de Adolf Hitler. Dentre elas, o extermínio em massa de mais de seis milhões de judeus em campos de concentração, como Auschwitz, por exemplo. Mas por que falar disso agora?

De acordo com a antropóloga Adriana Dias, que desde 2002 dedica-se a estudar movimentos neonazistas pelo Brasil, mostra que existem cerca de 530 núcleos extremistas espalhados pelo país, podendo chegar ao assustador número do 10 mil pessoas. Representando, portanto, um crescimento de 270%, de janeiro de 2019 a maio de 2021. Um número assustador de um movimento mais assustador ainda, principalmente aqui no Brasil, cujo povo é uma interessante mistura de todas as etnias, culturas e credos.

Mas por que esses movimentos estão ganhando força nos últimos anos? Será que é por causa da disseminação de discursos de ódio disfarçados de liberdade de expressão? Será que é por causa da relativização dos crimes de racismo, homofobia, antissemitismo ou mesmo contra a mulher que estão rolando pela sociedade afora? Será que temos os piores exemplos vindo dos altos cargos da política, como a Presidência da República, ou mesmo da grande mídia, como apresentadores de televisão, YouTube ou mesmo podcast, sem a devida punição prevista em lei? Aparentemente ficaremos sem respostas…

NOITE E NEBLINA, DEZ ANOS DEPOIS DO HOLOCAUSTO

Cena de Noite e Neblina, 1955, Alain Resnais

Em 1955 foi comemorado os dez anos da libertação judia dos campos de concentração nazistas. O diretor francês Alain Resnais, em parceria com o poeta e escritor Jean Cayrol, que havia sido prisioneiro do regime, e o ator Michel Bouquet, voz over da obra, dirige o curta-metragem Noite e Neblina, com aproximadamente 30 minutos de duração.

Somos apresentados a uma mistura de imagens dos destroços dos campos de concentração nazistas, mais precisamente Auschwitz e Majdanek, ambos localizados na Polônia, aos horrores feitos e registrados pelos próprios nazistas. Desde judeus sendo perseguidos pela Schutzstaffel, milícia nazista, e levados para Auschwitz ou Majdanek de trem, como uma máquina de morte. Às suas condições sub-humanas de trabalhos forçados, alojamentos, alimentação, castigos, etc.

Até chegarmos às chocantes imagens da solução final. Câmaras de gás, fornalhas gigantes e até mesmo fogueiras improvisadas para queimar de forma brutal e covarde não somente as provas de um crime sem precedentes, mas também um povo inteiro. De forma crua e ardida, sem rodeios ou liberdades poéticas, vemos os cadáveres de milhares de judeus empilhados. Até onde a brutalidade humana pode chegar? Montanhas de cabelos, pele, ossos, sonhos e vida estão nos vários rastros de sangue e ódio deixados pelos nazistas. Nas palavras do diretor francês François Truffaut: “uma lição de história, inegavelmente cruel, mas merecida” no filme “mais nobre jamais filmado antes”.
Onde assistir? YouTube

Fontes:

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Nuit_et_brouillard

https://www.rua.ufscar.br/noite-e-neblina-alain-resnais-1955/

https://www.google.com/amp/s/g1.globo.com/google/amp/fantastico/noticia/2022/01/16/grupos-neonazistas-crescem-270percent-no-brasil-em-3-anos-estudiosos-temem-que-presenca-online-transborde-para-ataques-violentos.ghtml

https://www.cinefrance.com.br/acervo/documentarios/noite-e-neblina-1955

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About author
Pedro Olivato Montanaro, formado em Rádio e Televisão pela Universidade Anhembi Morumbi. Redator freelancer do Portal Cineramaclube. Cinéfilo de corpo e alma.
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