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Crítica | The Umbrella Academy – 1ª Temporada

Série americana original da Netflix, “The Umbrella Academy” (2019) é baseada na saga homônima dos quadrinhos da Dark Horse criada por Gerard Way. Estranhamente agridoce, a produção reúne personagens intrigantes em uma trama temporal razoável, ao mesmo tempo que surge como uma aposta do streaming para o gênero dos super-heróis.

“The Umbrella Academy” tem seu início em 1989, quando, em um mesmo dia, 43 crianças ao redor do mundo nascem – subitamente – de mulheres que não estavam grávidas. Evento peculiar, sete delas são prontamente adotadas por Sir Reginald Hargreeves – um milionário que as submete a uma infância completamente dedicada a incansáveis treinamentos de combate. Extraordinários, os jovens da equipe mirim descobrem possuir habilidades únicas e, posteriormente, conquistam fama global por sua luta contra o crime. Porém, com o passar dos anos, eles sofrem o cruel efeito do tempo e se afastam, deixando para trás tragédias familiares e relações disfuncionais.

Décadas mais tarde, no entanto, o inesperado falecimento de seu pai acaba por provocar grandes e indecifráveis mistérios. Dessa forma, novamente reunidos devido às circunstâncias, os heróis – obrigados a lidar com as suas diferenças – devem voltar à ativa para combater um crescente mal que coloca em risco toda a existência na Terra.

The Umbrella Academy – 1ª Temporada / Netflix

Recente integrante de uma longa lista de adaptações de super-heróis, “The Umbrella Academy” é uma das grandes novidades de 2019. Evocando mundos e realidades paralelas, enquanto mantém os pés bem firmes neste, ela anda em uma corda bamba entre grandes acertos e erros. Tentando desesperadamente ser inovadora, os excessos da produção – em comunhão com as suas deficiências – transformam os dez episódios lançados pela Netflix em uma experiência regular e medíocre. Picos de excitação em constante colisão com cumes de tédio são o que melhor caracterizam a série que, procurando igualar e superar sucessos já bem estabelecidos no mercado, esquece que a dosagem poderia ser a sua melhor saída.

Aposta alta do streaming, “The Umbrella Academy” tenta se desvencilhar das amarras do gênero de heróis e apresentar algo que a faça sobressair dentre tantas outras ficções. No meio termo entre comédia e drama, a trama é devidamente preenchida com personagens interessantes que agregam valor à obra e efetivamente envolvem o espectador. Família heroica e problemática – na mesma proporção -, seus integrantes são conhecidos por números e apresentam, cada um, uma história profunda por detrás de seus comportamentos. Autênticos e facilmente relacionáveis, passamos a nos importar minimamente com cada um deles para nos preocupar e nos interessar por seu destino, ao mesmo tempo que torcemos cada vez mais por cenas perigosas de ação e que nos viciamos pela sensação de inevitabilidade que o vindouro apocalipse coloca sobre suas vidas.

The Umbrella Academy – 1ª Temporada / Netflix

Inicialmente promissora, a mais nova adaptação da Netflix adota um tom irregular e uma velocidade incompatível com o que se deseja mostrar em tela. Apesar de possuir em mãos bons elementos que poderiam facilmente alavancar a série de patamar, todos esses ingredientes parecem ser mixados, triturados e distendidos, de maneira que a sua essência, tão boa, a princípio, seja diluída. Mergulhada em um roteiro extremamente previsível – que incomoda pelo fato de podermos antecipar todas e quaisquer reviravoltas da trama -, a história é esticada em mais episódios do que o realmente necessário e a monotonia toma conta da televisão em diversos instantes. Os maiores e melhores momentos demoram a chegar e, embora sejam bastante satisfatórios, se restringem aos dois últimos episódios.

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No entanto, apesar dos problemas que a série apresenta, é necessário destacar os diversos pontos a favor da produção que saltam aos olhos ao longo da aventura temporal lançada em 2019. A excelente trilha sonora – que coloca o espectador em delírio com a convergência entre música e ação (“Don’t Stop Me Now” é magnífica) -, a fotografia melancólica – que retrata fielmente o interior sombrio de muitos dos personagens -, e a heroicidade bastante gráfica – que faz jus à adaptação de uma HQ de sucesso -, são apenas alguns dos fatores que agradam e atribuem valor aos episódios da Netflix. O público vai adorar.

Definitivamente agridoce, “The Umbrella Academy” tem a mesma proporção de altos e baixos. Conquistando uma legião de fãs ao redor do mundo, a série – que está confirmada até a terceira temporada – mira alto e alcança um meio-termo agradável. Longe do “ruim” e ainda mais distante do “maravilhoso”, é um entretenimento curioso que não vai muito além do simples esquecível. Porém, vale a pena ser examinado.

Prometendo coisas melhores e grandiosas para a sua continuação, a segunda temporada tem previsão de estreia para o dia 31 de julho de 2020.

Nota: 3/5

Assista ao trailer:

Veja também: Crítica | Dark – 3ª temporada

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Estudante de Cinema e Audiovisual na Universidade Federal Fluminense. 20 anos.
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