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Crítica | The Last Days of American Crime

Baseado no romance gráfico da Radical Publiching criada por Rick Remender e por Greg Tocchini, “The Last Days of American Crime”, ficção futurista estrelada por Édgar Ramírez, chega ao streaming da Netflix sob a direção de Olivier Megaton e entrega uma sociedade distópica mergulhada em uma trama cheia de suspense e ação.

O thriller de crimes da história em quadrinhos “Os Últimos Dias do Crime Americano” é ambientado em um futuro não tão distante, onde o governo dos Estados Unidos, como resposta final ao terrorismo e às práticas criminosas, planeja a transmissão de um sinal que impossibilita civis de cometerem atos ilegais conscientemente. No contexto sociocultural da trama, grandes questões acerca da acuidade do projeto governamental são levantadas por toda a população e, no meio do caos e por detrás dos panos, Graham Bricke (Édgar Ramírez), um ladrão de bancos, se une ao gângster Kevin Cash (Michael Pitt) e à hacker Shelby Dupree (Anna Brewster) para planejar o assalto do século e o último crime na história americana antes do sinal disparar.

The Last Days of American Crime
The Last Days Of American Crime /Netflix

“The Last Days of American Crime” é uma obra inovadora. Em um cenário cinematográfico no qual ideias são constantemente reutilizadas e grandes novidades são cada vez mais escassas, o filme de Olivier Megaton acerta em cheio em suas escolhas. A HQ futurista oferece um conceito novo e intrigante alinhado a elementos de ação, suspense e drama que elevam o nível da produção a uma experiência cartunística única onde a impressão é a de ver as páginas de um gibi ganhando vida, principalmente em suas dezenas cenas de violência completamente gráficas.

Na adaptação, a narrativa totalitária americana que gira ao entorno dos três protagonistas do longa é o suficiente para acender a curiosidade e o interesse do espectador e transmitir a sensação de perigo iminente. Sob o pretexto de servir como “proteção ao cidadão”, o sinal construído pelo governo que erradicaria os crimes não afeta os membros da polícia, que têm chips implantados para bloquear as ondas eletromagnéticas que basicamente paralisam as funções motoras dos possíveis criminosos, e, assim, o cenário de controle mental que já era problemático torna-se cada vez mais adverso, em uma gradação hermética e banhada a muito sangue.

A mais nova produção da Netflix contém inúmeros pontos positivos, dentre os quais incluem as cativantes performances de seu trio de protagonistas. Encarnando na pele dos personagens de 2009 de Rick Remender e de Greg Tocchini, o criminoso Graham Bricke e a hacker Shelby Dupree oferecem uma química notável que arrecada torcidas pelo sucesso de sua jornada por parte do espectador, enquanto o gânsgter Kevin Cash embarca em uma jornada lunática que mostra as diversas facetas de seu comportamento. A construção de seus arcos, tanto como um grupo quanto individualmente, é cautelosa e bem construída, de modo que o entendimento da obra como um todo é fácil e preciso.

Somado aos acertos da obra, a direção de fotografia de Daniel Aranyó se sobressai e consegue captar o tom do filme em sua essência. A cidade é mostrada em um tom melancólico e violento, sendo palco para mais de 2 horas de ação ininterrupta. O cenário age como um personagem do filme, retratando algo próximo do interior de cada um que aparece em tela e que vive o contexto caótico de um governo totalitário que tenta implantar uma onda mental para controlar as ações de seus civis.

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The Last Days Of American Crime /Netflix

“The Last Days of America Crime” é excelente, pecando, contudo, em um aspecto específico de seu decorrer. A duração do longa parece que poderia ser resumido em menos do que as duas horas e meia que foram disponibilizadas pelo streaming, de forma que alguns momentos da produção são, infelizmente, muito apáticos e até tediosos. Porém, a inércia de pontos isolados da adaptação da HQ da Radical Publishing não se compara à imensa qualidade e a todo o mérito que o filme conquistou e apresentou em seu desenrolar.

“Os Últimos Dias do Crime Americano” chega no dia 5 de junho de 2020 como uma agradável e surpreendente surpresa, carregando consigo fatores e inovações não vistos todos os dias em uma produção do streaming. Olivier Megaton mira alto e acerta em cheio.

Nota: 4/5

Assista ao trailer:

Veja também: Crítica | Os Olhos de Cabul

About author
Estudante de Cinema e Audiovisual na Universidade Federal Fluminense. 20 anos.
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