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Crítica | Soul

Soul, o novo filme da Disney/Pixar, está entre nós! Faz mais de vinte e cinco anos desde que Toy Story, o primeiro longa dessa parceria, foi lançado. Desde então, a quantidade de animações lançadas pelas duas companhias só tem se feito crescer e angariado imensas bilheterias, além de inúmeros corações. Seja como for, 2020 nos apresentou um cenário atípico, com os cinemas no mundo todo ameaçados devido à pandemia. Isto não parou a Pixar, pelo contrário: com uma posição um tanto mais confortável devido ao streaming Disney+, o estúdio lançou no serviço sua mais nova animação. E, ao longo do filme, é difícil não render-se à história e quase exclamar: “eles fizeram de novo!”.

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Soul se passa em uma das versões mais coloridas e vivas de Nova York já vistas. Aqui, nosso protagonista é Joe Gardner (Jamie Foxx), um professor de música cujo sonho é a carreira no jazz. Um dia, Joe ganha uma oportunidade de se apresentar com a estrela Dorothea Williams (Angela Bassett). Na empolgação, cai em um bueiro e, aparentemente, morre.

Soul
Soul | Pixar

A virada da trama, já mostrada nos trailers, denota a capacidade da Pixar em construir seus ambientes ainda que eles não tenham apego ao mundo físico. Isto, claro, passa pela necessidade de se abordar de uma maneira branda o conceito de “morte”, uma vez que ainda estamos falando de um filme cujo foco, ainda que por vezes não pareça, seja o público infantil. E, aqui, Soul brilha: o “além-vida” é inserido cirurgicamente na trama apenas como ferramenta para colocar Joe no “pré-vida”, onde as almas ganham suas personalidades antes de irem para a Terra. De todo modo, após algumas trapalhadas, Joe se torna o mentor de 22 (Tina Fey), uma alma desobediente e rebelde.

Joe e 22 são opostos em diversos aspectos, mas a interação entre ambos é talvez o ponto alto do filme. Entre uma confusão e outra, aos poucos eles vão se entendendo e destruindo suas barreiras para momentos-chave do longa. Jamie Foxx e Tina Fey estão absolutamente fantásticos, realizando com maestria o ato de fazer o telespectador se importar com os dois principais personagens do filme.

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Soul se destaca pelas reflexões

E entre tantos momentos de humor, a música preenche o espaço e funciona como a suave cobertura de um lindo bolo. Ao escolher um músico como protagonista, a Pixar entregou uma experiência agradabilíssima. a cereja desse bolo se manifesta ainda mais nas intensas reflexões que o filme promove. Alcançar um sonho é realmente momento de euforia ou pode não ser o que se esperava? Qual o propósito da vida, o sentido disso tudo? São perguntas que provocam, fazem a cabeça coçar e são muito bem-vindas.

Fica a sensação de que esta nova obra se posiciona como um dos melhores filmes da Pixar, não devendo em nada aos grandes títulos que lhe foram anteriores. A delicadeza em abordar os estágios que precedem e sucedem a vida, a estrutura visual de encher os olhos e o humor dos personagens são prova de um roteiro inspirado e uma construção certeira. Tudo é tão bonito que o filme passa como alguns pensam que a vida passa – em um piscar de olhos.

Por fim, Soul é um filme vibrante, como as animações da Pixar sempre foram. As risadas ecoarão e, provavelmente, as lágrimas virão também. O autoconhecimento de Joe fica como lição e temos, próximo do final, uma das cenas mais emocionantes de toda a história dos longas da companhia. Soul apresentou-se como um respiro, uma alegria ímpar no conturbado ano de 2020. A magia do filme supera a tela e, na passagem dos créditos, temos o entusiasmo de exclamar mentalmente: “eles fizeram de novo!”.

NOTA: 5/5

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21 anos de muito amor às letras. Estudante de direito e gamer nas horas vagas.
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