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Crítica | Sombra e Ossos – Das páginas para a tela, 1ª Temporada reprisa a jornada da Escolhida

Assim como no cinema, o meio literário também abraça as Trilogias. Composto por três livros, a jornada fantástica escrita pela autora israelita Leigh Bardugo, iniciada no volume chamado Sombra e Ossos, chega ao catálogo da Netflix em formato de série, integrando o time de tramas que exploram a Alta Fantasia. Nessa 1ª temporada, fragmentada em oito episódios, o “showrunner” Eric Heisserer atua ao lado do diretor Lee Toland Krieger. Apesar da confusão inicial, com uma narrativa repleta de termos desconhecidos, a dupla merece aplausos por manter “vivo”, do começo ao fim, o interesse do público.

É preciso resgatar uma figura importante, presente nas adaptações de obras literárias. Frodo Bolseiro, Harry Potter, Tris e tantos outros personagens nascidos em calhamaços de fantasia/distopia detém o título d’O(A) Escolhido(a). Aos ouvidos de muitos, esse “manto” que recai sobre o protagonista soa clichê, o que não é um problema quando a trama sabe disso e usa o poder da narrativa para fugir do que está batido. Na série da Netflix, a escolhida se chama Alina Starkov, vivida pela carismática Jessie Mei Li. Detentora de suas próprias qualidades [e defeitos], a personagem desvia do previsível e carrega o enredo sem jamais perder a chama de guerreira em ascensão.

Sombra e Ossos - Das páginas para a tela, 1ª Temporada reprisa a jornada da Escolhida
Sombra e Ossos (1ª temporada) / Netflix

Sinopse:

A história acontece no Reino de Ravka, que, há milênios, se encontra dividido em dois por uma tenebrosa barreira. Nesse mundo não muito diferente da Rússia imperial, vive Alina Starkov, uma órfã que foi recrutada pelo Primeiro Exército do czar para acompanhar os Grishas, figuras mágicas responsáveis por combater as forças malignas. Para vencer a guerra contra o mal e unir seu país, a jovem vai aprender a controlar seus poderes e a confiar em si mesma.

De antemão, o público, acostumado a traçar linhas de semelhança, enxergará em Sombra e Ossos uma aura à lá Game Of Thrones. O motivo? A ambientação medieval regida por diferentes núcleos e a presença forte da monarquia. Mas essas comparações param aí, porque a trama da Netflix abraça mais a fantasia, usando-a como elemento primordial para decidir o futuro de personagens e ambientes nessa 1ª temporada.

Sombra e Ossos - Das páginas para a tela, 1ª Temporada reprisa a jornada da Escolhida
Sombra e Ossos (1ª temporada) / Netflix

Tais elementos fantásticos são como uma cola, conectando todas as frentes em um ponto em comum: a guerra entre a luz e as trevas. Inicialmente, essa é a sensação, mas a narrativa não se agarra ao maniqueísmo e logo investe na existência de personagens que representam a fusão entre a escuridão e a luminescência. Afinal, bem e mal são conceitos desconstruídos aqui, pois a máscara de herói e vilão é usada por todos.

Enquanto observamos um conjunto de rostos reagir e agir conforme suas vontades, a balança moral se equilibra. E isso vai além da relação direta entre Série e Telespectador, pois esse vínculo também acontece entre coadjuvantes e protagonistas.

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Percebe-se a vitória do idealizador Eric Heisserer na janela aberta por ele, oferecendo uma ampla visão à cultura dessa sociedade ficcional. Sugando, no bom sentido, as principais temáticas abordadas no livro, o showrunner demonstra cuidado na hora de construir figuras narrativas. Para ele, coadjuvante ou não, todos merecem um cantinho sob os holofotes da história. Às vezes, alguns ganham mais luz que outros, infelizmente, mas o resultado ainda é positivo.

Sombra e Ossos - Das páginas para a tela, 1ª Temporada reprisa a jornada da Escolhida
Sombra e Ossos (1ª temporada) / Netflix

Nessa equação fantasiosa, há números negativos e eles podem tornar a experiência arrastada, vide os episódio quatro, cinco e seis, que deixam o ritmo mais lento. Se a imersão tiver pegado você, isso não será problema, todavia esse amortecimento pode espantar a freguesia, pois a sensação passada, mesmo que ligeira, é de um enredo que fica correndo atrás do próprio rabo, deixando o público tonto e desinteressado. Talvez, dois ou três episódios a menos teriam amenizado esse déficit.

Outro ponto desfavorável é a existência do “triângulo amoroso”, termo que gera expressões azedas no público em potencial. Parece um mal das fantasias nascidas de 2008 para cá, inserindo protagonistas no meio de dois interesses amorosos. Entretanto, até nesse quesito, a série se sai bem, pois o que poderia ser outro clichê é tratado com ousadia, firmando uma reviravolta que engrandece as figuras.

Sombra e Ossos - Das páginas para a tela, 1ª Temporada reprisa a jornada da Escolhida
Sombra e Ossos (1ª temporada) / Netflix

Assim como seus primos distantes (Harry Potter e O Senhor dos Anéis), Sombra e Ossos segue a linha das “portas abertas”, concluído a 1ª temporada com lacunas que serão preenchidas nos vindouros ciclos. A vantagem é que a adaptação da Netflix, por ter mais “tempo em tela”, consegue espaço para explorar com calma as tradições e mitologias daquele mundo.

Sombra e Ossos é uma passagem direta para o mundo composto por reinos, guerreiros e conflitos de raças. Usando a discussão acerca do preconceito entre povos, o show se sobressai a outras adaptações que não conseguiram alcançar o status de bem-sucedida. Não é à toa que diversas adaptações cinematográficas da última década se perderam no caminho, “engavetas”: 16 Luas, Fallen, Percy Jackson e Divergente (que sobreviveu por mais tempo, mas morreu no penúltimo filme).

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Sombra e Ossos - Das páginas para a tela, 1ª Temporada reprisa a jornada da Escolhida
Sombra e Ossos (1ª temporada) / Netflix

Metamorfosear as páginas do livro para a série, talvez seja a nova fórmula que os produtores encontraram de ser fiel ao material original, respeitando os fãs. Nem toda saga literária se dá bem no cinema como Harry Potter, basta olhar para o filme A Bússola de Ouro, que fracassou, mas renasceu nas mãos da HBO com uma série que caminha para a terceira temporada. O mesmo vale para Percy Jackson, que tentou se consolidar com dois longas, mas naufragou no mar das adaptações fílmicas e agora ganhou uma segunda chance no streaming do Disney+. Nos próximos anos, acredito que muitos livros sairão das prateleiras e ganharão os streamings.

Em suma, Sombra e Ossos incorpora a faceta de série promessa, uma fantasia moderna que abraça a diversidade e se arrisca em quebrar clichês. Que venham mais temporadas!

Nota: 3,5/5

Assista ao trailer:

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About author
Me chamo Mayko Martins. Formado em Publicidade e Propaganda, sou apaixonado por cinema, apesar de nunca ganhar o "Bolão do Oscar"! Estou “preso” a muitas séries e não consigo terminá-las, culpa da Shonda Rhimes – criadora de How To Get Away With Murder – me obrigando a rever sua série várias e várias vezes. Ah, quase esqueci, eu amo escrever! Por isso sou autor da obra "Fruto Podre": uma fantasia distópica publicada nas Terras do Wattpad.
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