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Crítica | Rua do Medo: 1994 – Parte 1 é um tributo ao subgênero Slasher

Bebendo da fonte literária, a Netflix está adicionando na sua aba de “terror” as adaptações baseadas nas obras do autor R. L. Stine. As pegadas deixadas por Stranger Things indicaram o caminho para o filme Rua do Medo: 1994, ou seja, uma narrativa dedicada às referências. Imprimindo o clima dos anos noventa, a parte 1 in(felizmente) veste todas as características de uma série: perguntas sem respostas, ausência de um final e prévia do que vem a seguir. Se parecer com uma série não é um problema, mas será que a estrutura consegue sobreviver?

Wes Craven cravou seu nome na história cinematográfica ao quebrar fórmulas estabelecidas nos filmes de terror. Isso aconteceu em 1996, na obra Pânico, o primeiro capítulo de uma franquia que falava sobre as regras do Slasher, homenageava clássicos e iniciava um diálogo auto-referencial. Vinte e cinco anos mais tarde, a polêmica cena de abertura, protagonizada por Drew Barrymore, é usada como matéria-prima para que Rua do Medo: 1994 inicie sua narrativa. Com isso, a Netflix presta tributo ao conjunto de filmes regidos pela figura do assassino mascarado que persegue suas vítimas.

Rua do Medo: 1994 - Parte 1 é um tributo ao subgênero Slasher
Rua do Medo: 1994 – Parte 1 / Netflix

Sinopse Rua do Medo: 1994

Depois da colega Heather ser morta na saída do trabalho, um grupo de adolescentes passa a ser perseguido por um grupo de assassinos mascarados em 1994, na pequena cidade de Shadyside. Quando começam a investigar as mortes, eles descobrem que não são as primeiras vítimas e que a cidade tem uma longa história de assassinatos brutais que acontecem há anos. Agora eles precisarão descobrir uma forma de impedir os assassinos ou, então, não sobreviverão até o dia seguinte.

A parte 1 dessa trilogia aspira o passado, do começo ao fim, contudo a trama respira sua própria identidade ao fundir ideias existentes em outros subgêneros do terror. Leigh Janiak, diretora, não esconde a admiração por histórias que possuem o intuito de assustar. Sua trajetória comprova isso, visto que seu recente trabalho ocorreu na série Scream. Aqui, Janiak inaugura sua vitrine de homenagens em um evento cinematográfico que visa lançar um filme a cada semana, com o objetivo de compor a trilogia.

Rua do Medo: 1994 - Parte 1 é um tributo ao subgênero Slasher
Rua do Medo: 1994 – Parte 1 / Netflix

A ascensão do Slasher levou roteiristas a reciclarem uma ideia que, com o passar dos anos, tornou-se constante no subgênero: o uso desenfreado de estereótipos. O Bad Boy, a Líder de Torcida, o Nerd apaixonado e a Protagonista Puritana. Franquias como Sexta-Feira 13, por exemplo, reuniam diversas figuras que seguiam esses moldes; personagens rasos inseridos na trama apenas para aumentar a pilha de corpos. Não existia arco de personagem para eles, o que levou o público, muitas vezes, a pagarem os ingressos tendo em mente a presença do assassino. Por isso, vilões como Jason, Freddy Krueger e Michael Myers assumiram as rédeas do protagonismo em seus filmes.

Em Rua do Medo: 1994 essa construção “formulaica” acontece, mas a primeira impressão não é a que fica! A Líder de Torcida não é superficial, o Nerd não é enfadonho, tampouco tratado com desprezo; e a protagonista está apaixonada por outra garota, presa entre o amor e o ódio, culpa do preconceito e do medo de ser quem realmente é. E o Bad Boy? Bom, aqui ele ainda é só um Bad Boy, em contrapartida, o amigo tagarela, usado como alívio cômico, é carismático. Esse grupo de adolescentes, antes de se transformarem em potenciais vítimas, são desenhados modestamente, desempenhando papéis que rompem a mesmice dos estereótipos.

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Rua do Medo: 1994 - Parte 1 é um tributo ao subgênero Slasher
Rua do Medo: 1994 – Parte 1 / Netflix

É importante que um filme de terror idealize conexão entre o público e personagens, pois esse vínculo torna-se um importante artifício, potencializado nas cenas que jogam os jovens na direção do perigo. À vista disso, a cineasta usa o primeiro ato com a finalidade de apresentar, sem pressa, os mocinhos. O elo construído por Janiak se escora nos elementos cenográficos, dizendo um pouco mais sobre cada figura, através de uma carta, computador, livros, TV, entre outros.

O deslize acontece na hora de situar o telespectador diante dos acontecimentos históricos que antecedem o ano de 1994. Nessa parte 1, a diretora perde a mão, três vezes, transformando os protagonistas em fantoches, usando-os para vomitar uma sucessão de fatos. Isso soa repetitivo, dado que os créditos iniciais fornecem boa parte dessas informações. Essa sensação de “narrativa mastigada” parece dizer o seguinte: “repete o que já foi mostrado, talvez o público não tenha entendido!“. Ou seja, a inteligência da audiência sendo subestimada. Só que esse problema não apaga os acertos, que se destacam progressivamente.

Rua do Medo: 1994 - Parte 1 é um tributo ao subgênero Slasher
Rua do Medo: 1994 – Parte 1 / Netflix

Apesar dos minutos finais transformarem o longa-metragem num “episódio estendido de uma série”, Rua do Medo: 1994 encerra bem a parte 1, oferecendo um resgate criativo de memórias ligadas aos filmes de terror. A fusão entre Slasher e Sobrenatural resulta numa mitologia que desperta curiosidade. Algo que poderia enfraquecer com o tempo, caso a espera pela Parte 2 e 3 durasse mais que sete dias.

Em suma, a experiência inédita no streaming ao lançar três filmes sequenciais, em um curto período, é um acerto. Com certeza Rua do Medo: 1994 está escrevendo uma nova fase de lançamentos para as plataformas. O convite ofertado pela Netflix é benéfico, pois não é todo dia que o público tem a chance de assistir uma trilogia que subtrai os meses de espera de um filme para o outro.

Nota: 3,5/5

Assista ao trailer da Parte 1:

Veja também: The Witcher | Trailer, animação, pôster e muito mais! Confira as novidades da série.

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About author
Me chamo Mayko Martins. Formado em Publicidade e Propaganda, sou apaixonado por cinema, apesar de nunca ganhar o "Bolão do Oscar"! Estou “preso” a muitas séries e não consigo terminá-las, culpa da Shonda Rhimes – criadora de How To Get Away With Murder – me obrigando a rever sua série várias e várias vezes. Ah, quase esqueci, eu amo escrever! Por isso sou autor da obra "Fruto Podre": uma fantasia distópica publicada nas Terras do Wattpad.
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