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Crítica | Ratchet & Clank: Em Uma Outra Dimensão

Em todo começo de geração de consoles uma dúvida domina a mente de muitos dos jogadores: qual será a cara do futuro dos jogos? Haverá melhorias significativas e, se sim, quais? Ratchet & Clank: Em Uma Outra Dimensão é um dos primeiros jogos que satisfazem esta curiosidade neste novo ciclo. O título, exclusivo para o PlayStation 5, cumpre seu papel entregando uma experiência impressionante, refrescante e divertida.

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Para os que não estão habituados à tradicional franquia, Ratchet e Clank são um Lombax e um pequeno robô, respectivamente, que tornam-se heróis galácticos atravessando diversos mundos em seus feitos. Durante suas aventuras eles colecionam alguns adversários, sendo o Dr. Nefarious o arqui-inimigo da dupla. O antagonista retorna em Uma Outra Dimensão, atacando uma comemoração em homenagem aos dois e levando-os a um universo onde ele é o imperador. Na sequência, Ratchet e Clank são separados. Clank, como mostrado nos trailers, é encontrado por Rivet, uma Lombax fêmea conhecida por ser membro da Resistência, grupo que se opõe ao Imperador Nefarious.

Ratchet

A história é leve, sendo uma odisseia interplanetária polvilhada de humor. Temas interessantes são discutidos, como amizade e destino, enquanto Ratchet, Clank e Rivet desbravam nove planetas diferentes. A campanha do game dura pouco menos de dez horas e há algumas atividades secundárias que podem ser desempenhadas pelos heróis. Rivet é uma ótima adição à saga, trazendo fôlego à série e formando uma excelente dupla com Clank. Apesar disso, é de se pensar que sua história e a da Resistência poderiam ser melhor aprofundadas e que a personagem tivesse alguma mecânica que a diferenciasse de Ratchet durante a gameplay, o que pode ser um fator negativo para alguns jogadores.

Qualidade técnica do novo Ratchet & Clank impressiona

Logo em seu início, o jogo já surpreende. Os heróis têm modelos semelhantes aos do jogo de 2016, mas claramente melhorados. As texturas são de alta qualidade, há uma enorme quantidade de partículas e os NPCs aparecem em grande densidade. É possível jogar em três modos: performance, qualidade e RT de desempenho, com cada um deles priorizando um aspecto do jogo. O ray tracing, uma das promessas da nova geração, é competente e esbanja beleza com reflexões em poças de água, no vidro e até mesmo nos olhos de Ratchet e Rivet. O deslumbre visual que temos ao chegar na Cidade do Nefarious é tamanho que tenho certeza que muitas outras pessoas fizeram a indagação: “Por que Cyberpunk 2077 não poderia ser algo assim?”.  É realmente a qualidade de uma animação da Pixar que gosta de aparentar seus méritos e demonstra a capacidade do novo console da Sony.

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Mas o poder do PlayStation 5 também é identificado a partir da mecânica de pulafendas, uma espécie de gancho instantâneo que permite maior mobilidade aos heróis durante a jornada. Temos, em segundo lugar, sequências scriptadas de batalha nas quais o jogo brilha com o SSD do console e realiza uma transição sem telas de loading entre os mundos. Há ainda dois planetas (Blizar e Cordelion) que possuem duas versões. A troca entre elas pode ser realizada durante a gameplay desde que encontrado um cristal que permita a transição. Uma mecânica que não tem tanto a ver com poder de fogo mas cuja adição foi muito boa é a chamada saída-fantasma, basicamente um tipo charmoso de esquiva que também serve para atravessar determinadas passagens obstruídas. Há também a possibilidade de correr pelas paredes em áreas específicas.

As aventuras dos heróis envolvem grandes batalhas e sequências de encher os olhos. Há um número generoso de armas — como é de praxe da série. É possível eletrocutar os adversários, congelá-los, explodi-los e até transformá-los em plantas. O melhor é que o Dual Sense, ao reproduzir várias das sensações do jogo, também o faz com as bugigangas através dos gatilhos adaptáveis. Algumas armas, inclusive, possuem modos alternativos a depender da força com a qual o jogador pressiona o botão R2. A gameplay é fluída e divertida, com combinações interessantes. Exemplo: é possível usar uma pulafenda para se afastar de um inimigo, paralisá-lo e depois executar um bombardeio fatal. Essa mistura de elementos é muito bem-vinda, uma vez que não são raros momentos em que muita coisa ocorre na tela ao mesmo tempo. Por fim, há de se falar em quebra-cabeças que são protagonizados por Clank e outros personagens, sendo um respiro na ação e pedindo o uso do raciocínio.

Com todas estas qualidades, é difícil não dizer que este é um dos jogos mais bonitos dos últimos anos, com a adição de entregar diversão em alto nível. A cereja do bolo é a dublagem para o português brasileiro em alto nível, como é de praxe em jogos first-party do PlayStation. Todas as vozes estão em bom tom e divertem, além de vários dubladores do jogo de 2016 estarem presentes. Este é com certeza um jogo que agradará tanto crianças quanto adultos.

Em suma, Ratchet & Clank: Em Uma Outra Dimensão é um título de peso para o PlayStation 5 e desponta como um dos expoentes da nova geração. Embora a história seja curta, os visuais e mecânicas que exaltam o poder do console impressionam e nos dão os primeiros vislumbres dos jogos que podemos esperar nos próximos anos. A aventura é divertida, empolgante e se traduz em mais um título de grande qualidade do PlayStation.

NOTA: 4/5

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21 anos de muito amor às letras. Estudante de direito e gamer nas horas vagas.
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