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Crítica | O Último Duelo

Produção americana original da 20th Century Studios, “O Último Duelo” reúne Matt Damon, Adam Driver, Jodie Comer e Ben Affleck em um épico instigante ambientado durante a Guerra dos Cem Anos. Dirigido com maestria por Ridley Scott, o longa explora a misoginia do período medieval, enquanto critica o poder sistêmico dos homens e a fragilidade da justiça.

O Último Duelo“, a emocionante história de traição e vingança sobre a brutalidade da França do século XIV, investe em uma narrativa dividida em três partes, que contam a versão de cada personagem do triângulo protagonista sobre o estupro de Marguerite de Carrouges. Com uma atmosfera inquietante e visceral, o drama cinematográfico explora a força e a coragem de uma mulher disposta a permanecer sozinha no serviço da verdade, à medida que mergulha o espectador em uma realidade caótica que desmantela a “honra” cavaleiresca e denuncia a perpetuação dos crimes contra mulheres.

Baseado em eventos reais, o filme desvenda suposições antigas sobre o último duelo sancionado pela França entre Jean de Carrouges (Matt Damon) e Jacques Le Gris (Adam Driver), dois amigos que se tornaram rivais. Carrouges é um cavaleiro respeitado conhecido por sua bravura e habilidade no campo de batalha. Le Gris, por sua vez, é um escudeiro normando cuja inteligência e eloquência o tornaram um dos nobres mais admirados da corte. Quando a esposa de Carrouges, Marguerite (Jodie Comer), é violentamente atacada por Le Gris, ela se recusa a ficar em silêncio e avança para acusar seu agressor – um ato de bravura e desafio que coloca sua vida em perigo. No entanto, após Le Gris negar o testemunho de Marguerite, a Justiça da Corte decide por um julgamento em combate, colocando Jean e Jacques frente a frente em um duelo extenuante até a morte, que revelará a verdade de Deus sobre os fatos.

O Último Duelo
O Último Duelo/20th Century Studios

O Último Duelo“, que surgiu de uma colaboração entre Ben Affleck e Matt Damon (co-roteiristas), é inicialmente empolgante e não demonstra medo em capturar a brutalidade e a barbárie do período. Nesse sentido, o visual do filme (desde a caracterização dos personagens até a construção dos cenários e os efeitos especiais) contribui para transportar o espectador até a França Medieval, fazendo com que o público sinta na pele o horror e a crueldade da história. Em meio ao caos, nada nos resta a não ser cultivar grande apreço por Marguerite, a personagem mais importante do filme e interpretada de forma brilhante por Jodie Comer, que entrega uma atuação densa e corajosa de uma mulher que sofre com abusos e injustiças. Por conseguinte, Matt Damon e Adam Driver completam a trinca competente de protagonistas, interpretando cavaleiros com nenhuma honra ou dignidade – apesar de os seus personagens agirem como se as tivessem.

Até a metade do filme, o ritmo é muito bom e se desenvolve de forma natural. O caminho é bem pavimentado e a iminência do duelo entre Jean de Carrouges e Jacques Le Gris, que decidirá o futuro de Marguerite, é empolgante. No entanto, a narrativa trata de cansar o espectador. Ao ser dividido em três partes (cada parte relatando a versão dos fatos de Jean, Jacques e Marguerite, respectivamente), o filme torna-se repetitivo e bastante desordenado, oferecendo um ciclo exaustivo de diálogos e batalhas que já haviam sido mostradas. Até certo momento, a exaustão se torna um desejo árduo de que o filme chegue logo ao seu fim. Porém, é necessário pontuar que, quando Jean de Carrouges e Jacques Le Gris finalmente pisam na arena, a atmosfera do longa se transforma e presenciamos uma cena de batalha épica digna de Ridley Scott. A espera de 2 horas e 30 minutos vale a pena e somos presenteados com uma sequência que dificilmente será esquecida.

O Último Duelo
O Último Duelo/20th Century Studios

Por fim, entre tantas qualidades e defeitos, “O Último Duelo” não é completamente eficiente em sua crítica à misoginia. Ao retratar um mundo no qual as mulheres são marginalizadas e destituídas de poder, o longa deveria dar mais espaço e voz à Marguerite, interpretada por Jodie Comer. Apesar da atuação brilhante, e de uma trama que depende inteiramente dela, a personagem fica “refém” de Matt e Adam, que batalham o filme inteiro pela própria dignidade. Além disso, o filme não apenas utiliza o estupro como um artifício para a trama, mas também faz com que o público tenha que assistir em looping o sofrimento de Marguerite, por diversas perspectivas. No final, a sensação que fica é de que a narrativa de Jodie serve apenas como um simples pano de fundo para um duelo machista entre dois cavaleiros indecentes.

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O Último Duelo já está em exibição nos cinemas.

Nota: 3/5

Assista ao trailer:

Veja também: Crítica | A Lenda de Candyman

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Estudante de Cinema e Audiovisual na Universidade Federal Fluminense. 22 anos.
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