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Crítica | O Diabo de Cada Dia

O Diabo de Cada Dia é a nova superprodução da Netflix, o suspense trás atuações densas e uma discussão bem desenvolvida sobre o fanatismo religioso.

Desde o lançamento do trailer, O Diabo de Cada Dia ( The Devil All The Time) tem chamado atenção não só pela história, mas pelo elenco de peso que foi escalado para dar vida a cada personagem excêntrico e trágico. Escrito e dirigido por Antonio Campos, e produzido por Jake Gyllenhaal e Randall Poster, o longa é baseado no livro O Mal Nosso de Cada Dia, de Donald Ray Pollock, que foi lançando em 2011.

O Diabo de Cada Dia é ambientado entre a Segunda Guerra Mundial e a Guerra da Vietnã, e parte de histórias que se cruzam conforme o tempo vai passando, onde num primeiro momento nos são apresentados os personagens, e logo mais tarde desenvolvem as suas histórias, que acabam ficando interligadas.

A base do longa é a vida do jovem Arvin ( Tom Holland), que é marcada por tragédias que vão desde o bullying que sofria na escola quando era mais jovem, até o descobrimento do câncer de sua mãe Charlotte ( Haley Bennet) e a influência que isso teve no fanatismo extremo e nas ações de seu pai Willard Russel (Bill Skarsgård). Com o fanatismo religioso por parte de sua família, Arvin se torna o único que se afastou da igreja, o fazendo questionar e abrir os olhos para as coisas que são feitas e ditas dentro da “Casa de Deus”.

O Diabo de Cada Dia
O Diabo de Cada Dia | Netflix

Neste mesmo tempo, ainda são apresentados outros arcos na história, que são Carl (Jason Clarke) e Sandy Henderson (Riley Keoug), um casal de serial killers que se fingem ser boas pessoas e dão carona para jovens e o transformam em suas vítimas, deixando tudo registrado em fotos, Lee Bodecker ( Sebastian Stan) um xerife corrupto, Lenora Laferfy ( Eliza Scanlen) meia irmã de Arvin e extremamente religiosa e Preston Teagardin (Robert Pattinson) um pastor que usa da fé de suas fiéis para conseguir ter relações sexuais.

A partir do momento em que as histórias são apresentadas, o longo começa a mostrar o quão o extremismo é maléfico. O fato de quase todos os personagens serem fanáticos religiosos deixa tudo mais interessante, principalmente quando eles colocam as suas ações como uma obra ou um chamado de Deus, tendo em vista que todos partem para o assassinato ou coisas que fogem tanto da religião quanto das coisas que são aceitas por aqueles que ainda mantêm o bom senso.

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Mesmo tendo várias tramas para desenvolver em duas horas de filme, ele não se perde. O roteiro é tão bem desenvolvido que daria para acompanhar a história por mais duas horas, apesar da lentidão dos acontecimentos no inicio do filme, ele se torna interessante a ponto de dar muito pano pra manga.

O Diabo de Cada Dia
O Diabo de Cada Dia | Netflix

Apesar de ser uma obra ficcional, não demora muito para encontrarmos grandes semelhanças com a realidade, afinal, nem todos que estão dentro da igreja são boas pessoas, e refletir sobre isso abre um leque para várias discussões. O “diabo” no título se apresenta diversas vezes nesses fanáticos religiosos, que utilizam Deus e sua religião para o bem próprio, o famoso custe o que custar.

É preciso lembrar que o filme não se trata de uma crítica à religiosidade, e sim ao ser humano e sua facilidade em ser manipulado e a sua enorme hipocrisia,  e o roteiro acaba deixando isso bem claro.

Mesmo a história por si só ser interessante, a maioria do público vai apertar o play influenciado pelo elenco escolhido, que além dos nomes já citados ainda conta com Harry Melling, Mia Wasikowska, Lucy Faust e Kristin Griffith. Me sinto na obrigação de citar o Tom Holland que foi uma grande surpresa nesse filme, mesmo já tendo mostrado o seu talento como o amigo da vizinhança Homem-Aranha e em O Impossível, acredito que um personagem com uma carga dramática e violento era o que estava faltando para ele, outro que merece os parabéns é o Robert Pattinson, que me fez sentir uma repulsa gigantesca pelo seu personagem.

O Diabo de Cada Dia
O Diabo de Cada Dia | Netflix

 O Diabo de Cada Dia é um suspense que dá gosto de assistir, tem a tenção e o desenvolvimento digno de boas produções, seu excesso de subtramas não o torna cansativo, por outro lado, é o modo que o diretor encontrou de nos manter ainda mais interessados pela história. Mesmo a Netflix escolhendo Os 7 de Chicago como aposta para o Oscar, O Diabo de Cada Dia poderia muito bem entrar para essa lista.

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O Diabo de Cada Dia estreia dia 16 de setembro na Netflix.

Nota: 4,5/5

Assista ao trailer:

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21, Jornalista e amante do cinema.
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