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Crítica | Lupin

O disfarce é uma técnica que remonta ao início dos tempos, sendo utilizado em larga escala por diversas espécies. Na humanidade, não foi diferente, e no campo da ficção esta arte sempre aparece – às vezes, infelizmente, de forma clichê. Mas e quando o disfarce se torna o mote do produto em questão? Pode-se dizer que temos a oportunidade de encontrar algo verdadeiramente mágico? Lupin, nova série francesa da Netflix, nos prova que sim.

O novo sucesso da Netflix é um presente aos fãs de Arsène Lupin, ladrão das histórias de Maurice Leblanc. O personagem, famoso na literatura policial, é conhecido não só pela astúcia, mas também pelo gentileza, elemento crucial para que o leitor sinta empatia e até mesmo torça para que Lupin vença ao final. Esta lógica foi trazida para os dias atuais, a exemplo de Sherlock. A diferença fundamental é que, enquanto na série britânica o protagonista é realmente Holmes em uma Londres contemporânea, em Lupin o protagonista se inspira no ladrão em diversas ocasiões.

Lupin
Lupin / Netflix

Omar Sy brilha em Lupin

E por falar em protagonista, este é o grande trunfo da série. Omar Sy, interpretando Assane Diop, é extremamente carismático, demonstrando versatilidade e um bom humor que o tornam um excelente personagem. Também, sua causa é nobre: provar a inocência do pai e se vingar de uma família rica. É uma trama que pode não ser lá original, mas é respaldada pela incrível atuação de Sy. Ao longo de cinco episódios, ele esbanja personalidade enquanto se disfarça de entregador, informante, prisioneiro, empresário e outros.

Mas engana-se quem pensa que Omar Sy é um protagonista perfeito: seu distanciamento para com o filho Raoul (Etan Simon) e o relacionamento problemático com a ex-esposa Claire (Ludivine Sagnier) são algumas questões que ajudam a criar um protagonista imperfeito e que pode sempre vencer, mas nem sempre ficar com a vitória. Soma-se a isso seu relacionamento com Anne Pellegrini, personagem de certa neutralidade que catapulta-se como um fiel da balança na série – embora seu papel não seja tão desenvolvido nesta primeira parte.

Lupin
Lupin / Netflix

Um ponto importante é que a série não ignora problemas da sociedade como o racismo. Assane, filho do imigrante senegalês Babakar (Forgass Assandé), se depara com esse tipo de situação em alguns momento, com a inserção dessas discussões ocorrendo de forma cirúrgica e sendo excelente maneira de provocar o telespectador. Na busca por honrar a memória de seu pai, Assane também se depara com a desigualdade social, com o poder econômico ditando regras em Paris alterando as regras na justiça, na polícia e até mesmo na vida e morte de várias pessoas.

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O roteiro da série, embora desenvolva-se agilmente em cinco episódios, é marcado por alguns ruídos e imperfeições, com algumas reviravoltas dignas das últimas duas partes de La Casa de Papel. Parte disso se deve às trapalhadas de alguns investigadores e também a uma chantagem envolvendo justamente o comissário de polícia. O vilão, Hubert Pellegrini (Hervé Pierre), é um tanto genérico e de dimensão única, mas seu núcleo familiar tem potencial. Com a deixa do último episódio, é esperado que o conflito entre Assane e Hubert se intensifique durante a vindoura segunda temporada.

Vencidas essas questões, a tom é de certa forma leve, tão leve quanto as mãos de Assane. O talento do protagonista, a dinamicidade dos episódios e o pano de fundo de Arsène Lupin ajudam a disfarçar (!) as falhas do roteiro e tornar a narrativa agradável e convidativa. Talvez o maior atrativo de Lupin, além do excelente trabalho de Omar Sy, é o fato da série ser ágil como uma animação e ter um doce toque literário que impressiona nestes duros tempos de pandemia.

NOTA: 4/5

Assista ao trailer:

Leia também: Crítica | Cobra Kai – 3ª Temporada

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22 anos de muito amor às letras. Estudante de direito e fã das Crônicas de Gelo e Fogo nas horas vagas.
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