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Crítica | Lucicreide vai pra Marte

Produção brasileira original da Globo Filmes, “Lucicreide vai pra Marte” apresenta o retorno de Fabiana Karla à personagem de sucesso do programa Zorra Total. Dirigido por Rodrigo Cesar, o longa-metragem apresenta uma temática promissora, mas peca no desenvolvimento da sua narrativa e entrega um produto superficial e pouco agradável.

Personagem criada originalmente pela atriz Fabiana Karla, em 1989, Lucicreide se tornou um sucesso da televisão ao representar a realidade de uma pernambucana mãe de cinco filhos que alia o caos de sua vida particular com a leveza e a graça de sua personalidade. Retrato da simplicidade do povo brasileiro, a esquete humorística sofreu uma revitalização oportuna e, agora, é adaptada para as telas de cinema.

Em “Lucicreide vai pra Marte“, a empregada doméstica Lucicreide (Fabiana Karla) está à beira de um colapso: seu marido a abandonou, seus filhos estão fora de controle e sua sogra se instalou em sua casa após ter sido despejada. Saturada das responsabilidades da vida cotidiana, ela promete deixar tudo para trás e permite que o filho de seus patrões a inscreva em um programa de candidatos para uma excursão só de ida à Marte. No entanto, sem entender direito a dimensão de uma viagem ao espaço, a personagem é submetida a uma série de testes – na sede da NASA, nos Estados Unidos – e se aproxima cada vez mais de deixar o planeta Terra para sempre.

Lucicreide Vai Pra Marte
Lucicreide Vai Pra Marte / Globo Filmes

Lucicreide vai pra Marte” é, sobretudo, uma alegoria medíocre sobre a inocência de uma mãe de família que é inserida em uma realidade “fantasiosa” de viagem espacial. Aliando performances teatrais rasas e extremamente forçadas (caso da personagem de Fabiana Karla) com momentos constrangedores de um humor inadequado, a produção de Rodrigo Cesar é decepcionante e pouco funciona. Nesse sentido, a comédia – que procura, desde o início, desenvolver um arco narrativo minimamente eficiente – se torna um grande e terrível deboche. Perdido em suas próprias escolhas, o filme acumula erros e discrepâncias marcantes que, finalmente, afugentam o espectador.

Por outro lado, enquanto tenta emplacar um conto ficcional sobre um programa da NASA, o filme conquista o seu primeiro ponto positivo: parte das filmagens foram rodadas, de fato, na instalação da agência espacial americana. Resumidamente, é a primeira produção desde “Armaggedon ” (1998) a ser filmada no local. Além disso, dentre os efeitos especiais utilizados na produção do longa, o filme conta com sequências executadas dentro de um avião que simula gravidade zero. A aeronave – dedicada ao treinamento de astronautas – partiu de Las Vegas e realizou acrobacias sobre o deserto de Nevada (EUA), criando sequências inéditas no cinema brasileiro. Portanto, ainda que se esforce para produzir um conteúdo – majoritariamente – ruim, a produção é louvável em seu pioneirismo no cenário audiovisual nacional.

Lucicreide Vai Pra Marte / Globo Filmes

Lucicreide vai pra Marte“, por fim, é uma crescente frustação em formato de filme. Incapaz de proporcionar sequências minimamente cativantes, o longa é uma interminável experiência de desespero e agonia que prioriza situações irrisórias de riso imediato – e de curto efeito -, ao invés de uma trama coesa e razoável. Dessa forma, recheada de erros fundamentais de percurso e de protagonismos essencialmente desagradáveis, a produção nacional se transforma em um genérico desinteressante. Por conseguinte, ainda que ofereça referências bem-vindas às franquias de Star Wars e Alien, o lançamento da Globo Filmes não é capaz de desempenhar o mínimo e se perde no abismo do esquecimento.

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Lucicreide vai pra Marte estreia dia 04 de março nos cinemas.

Nota: 1,5/5

Assista ao trailer:

Veja também: Crítica | Judas e o Messias Negro

About author
Estudante de Cinema e Audiovisual na Universidade Federal Fluminense. 21 anos.
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