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Crítica | Loki

Terceira produção da Marvel Studios para o streaming do Disney+, “Loki” dá novos ares à Fase 4 do MCU e apresenta, de forma oportuna, personagens e conceitos importantes para o futuro da franquia. Dirigida por Kate Herron (“Sex Education”), a série é um relato cativante e ousado sobre o Deus da Trapaça e assume uma identidade própria que torna o show um sucesso absoluto.

Em Loki, após os eventos de Vingadores: Ultimato, quando o Deus da Trapaça (Tom Hiddleston) rouba o Tesseract e cria uma realidade alternativa onde não foi morto por Thanos, o Filho de Odin é capturado pela TVA, a Autoridade de Variância Temporal, e sentenciado à “podação” – quando as Variantes que danificaram a Linha do Tempo Sagrada são apagadas da realidade. À beira da morte, Loki “oferece” seus serviços à misteriosa organização e tenta manipulá-la, a fim de evitar a sua pena e de encontrar um meio de recuperar a sua liberdade.

No entanto, quando Laufeyson (Loki) conhece Sylvie (Sophia Di Martino), sua versão feminina de outro universo, ele abandona qualquer estratégia e se une à determinada Lady Loki. Juntos, os dois iniciam uma jornada épica através do espaço-tempo e percorrem diversos momentos da história da humanidade para, finalmente, tentar desmascarar a nada inocente TVA. O que eles não esperavam, porém, é que suas ações colocariam em risco o futuro de todo o Universo.

Loki
Loki/Disney+

Lançada pelo Disney+ no dia 9 de junho de 2021, a série de seis episódios foge um pouco da “Fórmula Marvel” – já bastante conhecida pelo grande público – e aposta em uma narrativa mais “original”, a fim de inserir fielmente o espectador na mente excêntrica de um dos personagens mais complexos dos quadrinhos. Recheada da loucura e da inconsequência dignas do Deus da Trapaça, “Loki” embarca em uma jornada admirável e entrega um arco sólido que satisfaz até os mais céticos dentre os fãs de heróis [ou anti-heróis]. E é dessa forma, em meio ao caos temporal e à iminência de um grande desastre, que a série dá mais um passo ousado e apresenta Sylvie, a primeira Variante de Loki e um dos primeiros sinais do Multiverso.

Vinda de uma realidade alternativa, a versão feminina do Filho de Odin é o toque especial da produção e dá um novo, e oportuno, rumo ao roteiro de Michael Waldron. Implacável, a personagem oferece uma dinâmica sedutora e faz com que os olhos do espectador, e os de Loki, brilhem. Motivada por uma gigantesca sede de vingança, e por um “modesto” desejo de matar, ela é bem desenvolvida e se torna o encaixe perfeito para o Deus da Trapaça, que abraça o seu novo “eu” e abre as portas para uma dinâmica interessante entre os dois. Aliados, ou algo próximo disso, eles se identificam e compartilham do mesmo objetivo: sobreviver e desmascarar os Guardiões do Tempo, criadores da TVA.

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Loki/Disney+

A partir disso, enquanto Loki e Sylvie desenvolvem laços fortes e viajam no tempo para se esconder e investigar, a narrativa se transforma e assume proporções épicas. Se um dia chegamos a acreditar que Loki seria morto de forma definitiva pelas mãos de Thanos, o Titã Louco, ou que a sua série solo no Disney+ seria apenas uma forma de dizer “adeus” ao personagem, estávamos errados. A nova produção da Marvel aproveita o inesgotável potencial do Deus da Trapaça e, à medida que introduz personagens e conceitos importantes para o futuro da franquia nos cinemas, abre um leque infinito de possibilidades a ser explorado. Nesse sentido, “Loki” se revela maduro o suficiente para reconhecer a sua importância dentro do Universo Cinematográfico da Marvel e não tem medo de colocar todos os seus trunfos na mesa.

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Dentre as concepções mais relevantes, tempo, espaço e realidade são terminantemente desenvolvidas pela série. E, assim, o Multiverso, tema principal da Fase 4, é oficialmente instituído. Seja quando somos apresentados à legião de Variantes do Loki – como o Loki Clássico (Richard E. Grant), o Kid Loki (Jack Veal), o Loki Orgulhoso (Deobai Oparei) e o Loki Jacaré -, ou seja quando somos guiados através do verdadeiro Fim dos Tempos e testemunhamos a criação de dezenas, e até centenas, de realidades paralelas, temos um vislumbre preciso da dimensão do que o MCU planeja. E esse vislumbre, no último episódio da série, que já está confirmada para a 2ª temporada, é extraordinário, uma vez que Kang, o Conquistador (Jonathan Majors), um dos maiores vilões da Marvel, é finalmente apresentado.

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Loki/Disney+

Dessa forma, levando em consideração a grandiosidade de “Loki“, que ignora as “limitações” de uma série de TV e oferece uma narrativa à altura do Deus da Trapaça e todo o seu potencial, é possível dizer que a série é um dos maiores acertos da Marvel nos últimos anos. Aliando incríveis elementos de storytelling com aspectos técnicos singulares, como é o caso da fantástica fotografia de Autumn Durald, o lançamento do Disney+ supera todas as expectativas e aproveita para fazer conexões com o cinema e dar o pontapé inicial para produções como “Doutor Estranho, no Multiverso da Loucura” e “Homem Aranha: No Way Home“.

Finalmente, “Loki” é um suspiro aliviado de um personagem cuja importância para o MCU é incalculável. Com todos os ingredientes em mãos, a série mais traiçoeira do estúdio cumpre as suas promessas e estabelece um novo padrão para os programas do streaming. Agora, com um futuro ainda maior pela frente, o Deus da Trapaça espera por sua chance de brilhar novamente em mais uma narrativa profunda sobre redenção, descoberta e liberdade. Dessa vez, porém, dividindo os holofotes com a Variante mais querida do público, Sylvie.

Loki já está disponível no Disney+.

Nota: 5/5

Assista ao trailer:

Veja também: Crítica | Espiral – O Legado de Jogos Mortais

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Estudante de Cinema e Audiovisual na Universidade Federal Fluminense. 21 anos.
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