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Crítica | Killing Eve – 2ª temporada

Segunda temporada é um desfile de mortes, Alta Costura e muita obsessão

Se no mundo do cinema, a continuação de um filme é responsável por projetar no público muita expectativa, na TV isso não é diferente, ainda mais quando se fala numa season 2 de uma aclamada série. A pressão para entregar algo que respeite e exceda o nível de uma temporada inaugural, pode ser uma catapulta para grandes surpresas ou decepções. Em 2018, o show Killing Eve estreou, tornando-se um grande sucesso, que rendeu a Jodie Comer o Emmy de melhor atriz em série dramática e fez Sandra Oh arrematar um Globo de Ouro. Magnifica, divertida e perigosa, a 2ª temporada repete o resultado de sua antecessora, nos deixando obcecado, mais uma vez, pela trama ousada e excêntrica.

Sobre a 2ª temporada de Killing Eve:

Começando segundos após os eventos da última season finale, com Villanelle desaparecida e ferida, e Eve sem saber se a mulher que esfaqueou está viva ou morta, observamos Os Doze agirem nas sombras, apagando seus rastros. Com ambas em apuros, Eve precisa encontrar a serial Killer antes que alguém o faça. Mas, infelizmente, ela descobrirá que não é a única pessoa procurando a assassina.

Killing Eve / BBC America

Nas telas, os homens sempre estiveram à frente de um excelente thriller de espionagem. Subvertendo essa premissa, Killing Eve não apenas desconstrói o jogo de “gato e rato” em sua 2ª temporada, como evoluí a dinâmica entre a “mocinha” e a “vilã” (termos caricatos, eu sei, mas é somente para ilustrar os rostos desse jogo obsessivo). Com 8 episódios, o segundo ciclo da série está disponível no serviço de streaming da Globoplay.

Antes de prosseguir, preciso alertá-los do uso excessivo de aspas nesta análise. Tudo o que estiver entre aspas é dito no sentido figurado, mas, ao mesmo tempo, não. Parece confuso, confesso, mas em Killing Eve nem tudo o que parece é, mas no fundo é! Entende? Nada é gritado aos quatro ventos. Enxergamos algo, que muitas vezes, não está lá. Escutamos vozes nos momentos silenciosos. Mas, em algum ponto dessa 2ª temporada, as coisas finalmente começam a ganhar mais forma; ou quase isso!

Se a primeira temporada colocou agente e assassina no centro de uma caçada desenfreada. Dessa vez, os motivos para tal acontecimento são remodelados. Temos uma nova assassina, alianças repentinas, encontros e desencontros que decidem quem vive e quem morre.

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Killing Eve / BBC America

É preciso aceitar um fato sobre Villanelle e Eve. Ambas deixaram de ser, apenas, lados opostos numa conexão entre protagonista x antagonista. Elas estão, de fato, em um “relacionamento” (lembre-se da regrinha sobre as aspas!). A admiração (ou obsessão) que conecta as duas é moldada por medo e excitação, arrependimentos e desejos, curiosidades e descobertas. Qualquer um é capaz de enxergar no ar a tensão sexual que paira entre elas, que logo se transforma numa válvula destrutiva para os que estão ao redor; como o marido de Eve, sua chefe e seus colegas de trabalho.

Pode-se dizer que o fio condutor, presente no início desta temporada é o “término do relacionamento“. Eve tenta continuar sua vida, se jogando de cabeça na investigação atrás de uma nova assassina. Ela se mostra forte, a princípio, mas a ausência de sua “assassina favorita” desperta nela uma abstinência que é percebida até por aqueles que estão em sua volta. Ela finge que superou o “término“, mas nós, desse lado da tela, sabemos que não é bem assim!

Killing Eve / BBC America

Machucada, enfurecida e ainda mais obcecada, Villanelle, por sua vez, está “na fossa“. Ela não quer seguir adiante, por isso acompanhamos suas tentativas de “seguir para trás“. Aproveitando os sentimentos que afetam a mente da personagem, o roteiro nos permite enxergá-la por outra perspectiva. Tudo fica mais interessante, quando ela expressa seu “ciúmes“, ao descobrir que há outra mulher fazendo seu trabalho.

Phoebe Waller-Bridge entregou um texto excelente e animadamente perigoso na primeira temporada, e a nova showrunner, Emerald Fennell, honra esse legado. Atriz, diretora e escritora, ela cria uma narrativa que segue de braços dados com a imprevisibilidade, nos chocando e nos fazendo rir em momentos inoportunos. Compreendendo a bagagem que a série carrega, isso não a impede de colocar sua própria identidade no enredo. Uma mistura de humor ácido, suspense, drama e altas doses de obsessão. Emerald tem uma assinatura que se apega aos pequenos detalhes, tornando-os grandes.

Killing Eve 2ª temporada
Killing Eve / BBC America

A analogia a seguir é um pouco Nerd, mas preciso fazê-la. Se superpoderes existissem, Sandra Oh teria o dom da “super atuação”. É revigorante observá-la se entregar de corpo e alma em seu papel. É de arrepiar! Como protagonista, dessa vez, ela precisa trilhar um longo caminho por uma estrada repleta de pontos de interrogação, para assim entender o que de fato mantém esse laço entre ela e sua “inimiga“. Afinal, a cola que segura essa relação são as diferenças entre elas? Ou as semelhanças? São essas respostas que Eve buscará, para descobrir quem de fato é.

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Repitam comigo “você não pode se apegar a uma assassina!“. Pois é, eu sei, não é fácil. Se as séries viessem acompanhadas de sessões de terapias, isso seria o que um psicólogo diria para nós. Insanidades à parte, a culpa por desenvolvermos esse apego a Villanelle é total e exclusiva da atriz Jodie Comer. Ela é alma dessa série e isso é visível nas minúcias que compõe sua personagem: carisma mortal, humor incomum, desequilíbrio e trajes luxuosos (com exceção do pijama infantil). Sua troca de figurinos só não é maior que o número de expressões que a atriz faz, reforçando sua versatilidade e brilhantismo.

Killing Eve 2ª temporada
Killing Eve / BBC America

Mesmo sem passaporte, cada episódio de Killing Eve nos faz embarcar pelos cantos mais remotos da Europa. A arquitetura, os monumentos, as belas paisagens e pontos turísticos tornam-se um charme a mais. É fácil se perder nos cenários, capturados com maestria pela fotografia.

A Cultura Pop está aí, com muitas referências disponíveis. Por isso, farei algumas alusões dessa contínua jornada que o “herói” percorre para compreender o que o separa do “vilão”. O quinto filme de Harry Potter, fez o bruxinho se questionar se ele realmente era tão distinto assim de Lord Voldemort, lembra? Na franquia O Senhor dos Anéis, Frodo tem a missão de destruir o objeto de poder de Sauron, entretanto, no caminho, ele começa a sentir-se obcecado pelo Anel.

Killing Eve / BBC America

Como podem ver, heróis e vilões estão, ao mesmo tempo, separados e interligados por semelhanças e diferenças. É um paradoxo constante! Na 2ª temporada de Killing Eve, isso acontece também, mas com outra releitura, obviamente. É surreal acompanhar esse dilema, que é trabalhado nos diálogos, nos olhares, nas roupas e, acima de tudo, nas escolhas das personagens principais.

Talvez, sua lista de séries para assistir esteja gigantesca, porém sempre vale a pena dar um tiro no escuro e se deleitar com algo novo, como Killing Eve. Esta é uma série moderna, repleta de surpresas, que fará você “maratonar” os episódios com extrema urgência e sede de reviravoltas. E, é claro, temos Sandra Oh e Jodie Comer, que são razões mais que o suficiente para você contemplar essa obra televisiva.

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Por último, saiba que não me responsabilizo, caso você desenvolva uma obsessão por Eve e Villanelle.

Nota: 5/5

Assista ao trailer:

Veja também: Crítica | Hollywood.

About author
Me chamo Mayko Martins. Estudante de Publicidade e Propaganda. Sou apaixonado por cinema, apesar de nunca acertar um bolão do Oscar! Minha nova paixão é o teatro, motivo pelo qual faço parte do Grupo Teatro Mix. Estou “preso” a muitas séries, mas a culpa de eu não terminar nenhuma é da Shonda Rhimes – criadora de How To Get Away With Murder, que me fez rever as temporadas várias e várias vezes. E, estou me recuperando do final da terceira temporada de Shingeki no Kiojin... Ah, quase esqueci, eu amo escrever! Por isso sou autor lá nas terras do Wattpad com o livro "Fruto Podre".
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