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Crítica | Killing Eve – 1ª Temporada deixará você obcecado pela série!

A fórmula do “mocinho tentando a todo custo prender o vilão” já foi contada várias vezes na TV e no cinema. Dois exemplos são os filmes Prenda-me se for Capaz de Steven Spielberg e o longa O Fugitivo, estrelado por Harrison Ford. Estas histórias possuem um ponto em comum: todas são protagonizadas por homens. O que não acontece em Killing Eve, pois são as mulheres que movimentam a frenética caçada.

Sinopse 1ª temporada de Killing Eve:

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Eve trabalha como guarda de proteção em uma agência de inteligência britânica, mas seu emprego estável e dentro de quatro paredes não sucumbe o desejo dela de se tornar uma espiã. É por isso que quando a primeira oportunidade surge, ela não pensa duas vezes e mergulha em uma caçada incansável contra uma assassina. Agora, seu alvo é Villanelle, uma criminosa tão elegante quanto perspicaz.

1ª temporada Killing Eve

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Killing Eve / BBC America

Killing Eve é uma série proveniente das páginas do livro “Codename Villanelle“, do autor Luke Jennings. A adaptação televisiva foi feito pela brilhante e talentosa Phoebe Waller-Bridge, responsável pelo sucesso Fleabag.

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Preciso confessar, antes de tudo, que esbarrei por acidente nessa série e eu nunca agradeci tanto ao acaso. São poucas as produções da atualidade que pensam fora da caixinha e entregam algo novo para o público. A primeira vista, pensei que Killing Eve fosse retratar em cada episódio um “vilão do dia“; e com grande felicidade eu digo “foi o melhor equívoco da minha vida de serimaníaco!“. Em um dia, assisti toda a 1ª temporada, que está disponível no serviço de streaming do Globoplay. São apenas 8 episódios.

Nada de mocinho heróico combatendo um vilão caricato. O roteiro de Phoebe Waller é contrário a essa fórmula ao representar as protagonistas de forma realista, humanizando-as com o auxílio do cotidiano de cada uma e desconstruindo clichês do gênero. Com um ar mais contemporâneo, o enredo nos coloca na mente das personagens que desenvolvem uma obsessão recíproca, que foge para além da tela e nos contagia; acredite você ficará obcecado por Killing Eve.

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Killing Eve / BBC America

De um lado temos Eve Polastri, inteligente, entediada profissionalmente e presa a uma rotina burocrática que jamais desafia sua mente. Na outra ponta temos Villanelle, uma assassina de aluguel fria, carismática, com um senso de moda único e seu charme bizarro e intrigante. Duas personagens separadas pelo “bem” e pelo “mal“. Mas, o que de fato define tais aspectos? É isso que a série usa como pontapé, colocando Eve e Villanelle uma no caminho da outra, criando um laço entre elas, aguçando nossa ansiedade por um confronto.

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Killing Eve não é uma série que recorre aos embates físicos. A grande sacada do roteiro são os confrontos de inteligência, são as lutas de escolhas e consequências. A cada episódio, o enredo brinca com a nossa percepção, usando nossa ansiedade e curiosidade para prender nossa atenção. Quando a gente pensa que sabe o rumo que o barco está tomando, nossas teorias são esbofeteadas com as reviravoltas.

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Tudo o que queremos é ver um encontro entre protagonista e antagonista. E cá entre nós, o encontro delas é a combinação perfeita entre bons diálogos e atuações magnificas. Juntas possuem muita química, mesmo que a interação entre elas signifique vida ou morte. Assisti-las assumindo e perdendo o controle torna a caçada muito mais interessante.

Killing Eve / BBC America

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Conhecida pelo seu papel na série Grey’s Anatomy, Sandra Oh nos brinda com a melhor performance de sua carreira. A atriz incorpora a protagonista Eve de forma tão carismática, que nos rendemos a ela em sua primeira aparição. Qualquer espectador consegue enxergar como Sandra Oh se diverte nesse papel. É impossível não se apegar a personagem, com o seu jeito “gente como a gente” de ser. Astuta, corajosa e completamente audaciosa, abraçamos os desejos dela ao longo dos episódios.

Se as palavras “deboche” e “maldade” pudessem ser combinadas como substâncias químicas, a junção delas criariam a misteriosa Villanelle. A talentosa Jodie Comer não mede esforços ao construir sua personagem. Despretensiosa, estilosa, dona de um sarcasmo mortal e uma criminosa de elite, ela é um ponto de interrogação, nos desafiando a buscar uma explicação para sua personalidade. A genialidade do roteiro é tão grande, que logo de cara entendemos os motivos da personagem Eve ficar tão obcecada nela. Queremos saber o que Villanelle está fazendo, o que ela está comendo e vestindo. Queremos ficar próximos de uma assassina para saber qual será seu próximo passo!

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A veterana Fiona Shaw (conhecida por interpretar a tia Petúnia Dursley na saga Harry Potter) dá vida a Carolyn Martens, o cérebro que lidera a caçada por Villanelle. Não é qualquer ator que consegue despertar tamanho temor com uma interpretação sutil e contida. Infelizmente, a 1ª temporada não revela muito sobre o passado ou os segredos da personagem. Nos resta aguardar pelo 2º ano da produção.

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Ver duas personagens mulheres conduzirem um thriller de espionagem repleto de suspense vai contra tudo aquilo que já assistimos. Se existisse um dicionário que classificaria as séries em apenas uma palavra, a definição de Killing Eve seria “surpreendente”. Desde a primeira cena, não há outra coisa que a trama faça, que não seja te surpreender através dos imprevisíveis personagens (aqui, me refiro a todos eles!). Todos os que amam mistério precisam assistir. E aqueles que não são amantes do gênero, não se preocupem, a série é capaz de fisgar você através das demais subtramas.

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Com altas doses de suspense, humor, drama e ação a série é uma versão moderna e ousada de “um jogo de gato e rato“. Não existe nenhuma outra expressão que define tão bem Killing Eve. E o melhor de tudo é que o “gato” e o “rato” trocam de papéis, destruindo nossas expectativas e nos chocando a cada segundo!

Veja também: Crítica | Hunters – 1ª Temporada.

Nota: 5/5

Confira o trailer da 1ª temporada:

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About author
Me chamo Mayko Martins. Estudante de Publicidade e Propaganda. Sou apaixonado por cinema, apesar de nunca acertar um bolão do Oscar! Minha nova paixão é o teatro, motivo pelo qual faço parte do Grupo Teatro Mix. Estou “preso” a muitas séries, mas a culpa de eu não terminar nenhuma é da Shonda Rhimes – criadora de How To Get Away With Murder, que me fez rever as temporadas várias e várias vezes. E, estou me recuperando do final da terceira temporada de Shingeki no Kiojin... Ah, quase esqueci, eu amo escrever! Por isso sou autor lá nas terras do Wattpad com o livro "Fruto Podre".
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