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Crítica | Falcão e o Soldado Invernal

Segunda produção da Marvel Studios para o streaming do Disney+, “Falcão e o Soldado Invernal” apresenta uma narrativa política sobre os ídolos e a memória de uma Nação. Dirigido por Kari Skogland, a minissérie é um exame profundo do racismo institucional e carrega consigo a carga dramática necessária para se destacar.

Falcão e o Soldado Invernal“, segunda série do projeto da Marvel Studios para o streaming do Disney+, traz às telas uma narrativa estimulante sobre o legado do Capitão América. Desenvolvida por Malcolm Spellman, a minissérie de 6 episódios tece comentários sociais maduros e aproxima o espectador da discussão sobre intolerância, simbolismo e diversidade. Dessa forma, à medida que assume um compromisso com esses temas, a produção do estúdio norte-americano define o seu tom e adota um diálogo consistente que conquista o público.

Na série, após receber o manto de Capitão América das mãos do próprio Steve Rogers (Chris Evans), em Avengers Endgame (2019), Sam Wilson, o Falcão (Anthony Mackie), reluta em empunhar o escudo e o entrega às autoridades. Sob forte pressão governamental, o herói se alia a Bucky Barnes, o Soldado Invernal (Sebastian Stan), e embarca em uma perigosa missão que os coloca em contato com os Apátridas – uma célula terrorista que defende que o mundo era melhor durante o “Blip”, quando metade da população foi exterminada por Thanos. Assim, enquanto lutam contra os insurgentes, Sam e Bucky devem resolver as suas diferenças e encontrar um meio de evitar o colapso da geopolítica mundial, mesmo que isso signifique se aproximar de antigos inimigos.

Falcão e o Soldado Invernal
Falcão e o Soldado Invernal/Disney +

Falcão e o Soldado Invernal“, que começa a ladrilhar o futuro de alguns personagens no Universo Cinematográfico Marvel, desenvolve a sua narrativa a partir da recusa de Sam Wilson em assumir o manto de Capitão América. Certo de que o simbólico escudo deveria ser aposentado, o herói o entrega ao governo norte-americano e decide continuar a sua luta contra o crime como o “Falcão”. No entanto, contrariando as expectativas, as autoridades decidem eleger um novo super-soldado para o lugar de Steve Rogers e, então, John Walker (Wyatt Russel), um veterano de guerra, se apresenta ao mundo e assume a missão de dar continuidade ao legado do Primeiro Vingador.

Nesse sentido, impulsionado por uma atuação impecável de Wyatt Russel, que provoca o ódio do espectador, o novo Capitão América tenta unir forças com Sam e Bucky, a fim de traçar um plano de ação para neutralizar a ameaça dos Apátridas. Porém, à medida que as suas diferenças se manifestam, os dois se recusam a trabalhar com ele. A partir de então, John Walker assume um comportamento controverso e provoca questionamentos à sua integridade, ao passo que coloca em risco a segurança de todos ao seu redor. Por conseguinte, desacreditado, ele se torna uma ameaça real para o Falcão e o Soldado Invernal, dando origem a uma batalha pela memória de Steve Rogers e pelo destino do escudo.

Enquanto isso, Sam e Bucky procuram maneiras pacíficas de lidar com o movimento insurgente, liderado por Karli Morgenthau (Erin Kellyman), e com os mistérios do Mercador do Poder, uma figura anônima que controla diversos recursos e operações ilegais no Oriente. Para tal, a dupla conta com a ajuda de Sharon Carter (Emily VanCamp) e do excelente Barão Zemo (Daniel Brühl), que acrescentam subtramas interessantes, ainda que pouco profundas, à narrativa de Malcolm Spellman. Logo, o desenvolvimento de “Falcão e o Soldado Invernal” alcança um clímax político complexo que apresenta com excelência temáticas como a crise demográfica e a migração compulsória.

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Zemo (Daniel Brühl) in Marvel Studios' THE FALCON AND THE WINTER SOLDIER exclusively on Disney+. Photo by Chuck Zlotnick. ©Marvel Studios 2021. All Rights Reserved.
Falcão e o Soldado Invernal/Disney +

Finalmente, “Falcão e o Soldado Invernal” se debruça sobre uma história madura de perdas e reparações. Servindo como uma passagem de manto do Capitão América no Universo Cinematográfico da Marvel, a minissérie de seis episódios analisa a questão do racismo institucional e denuncia a narrativa dos super-heróis pretos propositalmente “apagados” da História. Produzido exclusivamente para o streaming do Disney+, assim como “WandaVision“, a série é um dos experimentos mais ousados ​​e desafiadores da Marvel. Dessa forma, embora não seja impecável, a nova produção do estúdio oferece um espetáculo grandioso e altamente envolvente que, definitivamente, causa impacto.

Falcão e o Soldado Invernal já está disponível no Disney+.

Nota: 4/5

Assista ao trailer:

Veja também: Crítica | WandaVision

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Estudante de Cinema e Audiovisual na Universidade Federal Fluminense. 21 anos.
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