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Crítica | Espiral – O Legado de Jogos Mortais

Nono capítulo da famosa franquia de terror, “Espiral – O Legado de Jogos Mortais” apresenta Chris Rock e Samuel L. Jackson em uma releitura curiosa do clássico original de 2004. Dirigido por Darren Lynn Bousman e roteirizado por Josh Stolberg e Peter Goldfinger, o longa aposta em sequências sangrentas e ousadas de ação, mas é apanhado pelas próprias armadilhas e não consegue oferecer mais do que um material genérico e pouco expressivo.

Originalmente programado para ser lançado em maio de 2020, a produção da Twisted Pictures foi adiada devido à pandemia da Covid-19 e, agora, tem nova data de estreia: 17 de junho de 2021, no Brasil. Reunindo os criadores originais da franquia,  James Wan e Leigh Whannell, que atuam como produtores executivos ao lado do próprio Chris Rock, o filme chega às telas do cinema com grandes expectativas por parte dos fãs mais leais da saga. Porém, a partir do momento que esquece – ou prefere ignorar – as principais qualidades de seus antecessores, “Espiral” coleciona erros e resulta em uma experiência nauseante e pouco envolvente.

Em “Espiral – O Legado de Jogos Mortais“, um sádico criminoso dá início a uma forma distorcida de justiça pelas ruas de uma cidade norte-americana, ao ressuscitar a herança macabra de Jigsaw e submeter policiais corruptos a “jogos” mórbidos e fatais. Frente ao horror dessa “caçada”, o detetive Ezekiel “Zeke” Banks (Chris Rock) – que vive à sombra do sucesso de seu pai (Samuel L. Jackson), um estimado veterano da polícia -, se une ao novato Willem Schenk (Max Minghella) para investigar a complexa série de assassinatos. Dessa forma, involuntariamente preso em um mistério cada vez mais profundo, Zeke expõe o passado sombrio da sua cidade e, por fim, percebe estar no centro de mais um jogo perverso do assassino.

Espiral
Espiral – O Legado de Jogos Mortais / Paris Filmes

Espiral – O Legado de Jogos Mortais” tenta, desde o início, recuperar um pouco do fôlego da franquia e reestruturar a sua narrativa, há muito desgastada. Até certo ponto, o filme é competente e apresenta o espectador a um universo moderno e cheia de possibilidades. No entanto, apesar do grande potencial do enredo e dos evidentes esforços da produção para oferecer um material mais profundo e elaborado que o original, o longa se afasta das peculiaridades que uma vez já o tornaram um sucesso e revela diversos gargalos estruturais que descredibilizam a produção. Nesse sentido, levando em consideração o “menosprezo” pela cultura dos filmes anteriores, é possível fazer um primeiro comentário bastante significativo: as armadilhas arquitetadas por “Espiral” são ‘fracas’ e incoerentes, e não há possibilidade real de as vítimas escaparem com vida. Sendo assim, o ponto principal de Jogos Mortais, que é jornada de redenção dos personagens, é deixada de lado para que uma matança desleal e pouco significativa tome conta da tela. Os maiores fãs não irão reconhecer o tal “legado” de Jigsaw e sairão insatisfeitos do cinema.

Enquanto disso, à medida que desenvolve uma história cujas peças do quebra-cabeça parecem não se encaixar, o longa se depara com um novo – e maior – problema: Chris Rock. O comediante, conhecido por papéis irreverentes e pouco profundos no cinema e na televisão, não parece à vontade na função principal de detetive e se perde na própria performance, oferecendo uma atuação histérica e pouco apropriada para a narrativa sombria de “Espiral“. Sem conseguir convencer o espectador, o ator grita e xinga durante a maior parte do filme e torna quase impossível a tarefa de levar a sério o protagonista do show (de horrores).

Espiral
Espiral – O Legado de Jogos Mortais / Paris Filmes

Finalmente, “Espiral – O Legado de Jogos Mortais” falha completamente na sua tentativa de reinventar a franquia sangrenta de 2004 e acaba por oferecer um material genérico e bastante previsível, que não surpreende ou cativa o suficiente nem os maiores fãs da saga. Pouco esforçado, o longa mergulha em questões sérias sobre a brutalidade policial, mas oferece um diálogo raso e não aproveita as melhores oportunidades de se destacar. Sem grandes novidades ou momentos marcantes, o lançamento da Twisted Pictures, que esquece o terror em si e tenta chocar o público com mortes grotescas e nauseantes, trilha um caminho para novas sequências e para mais armadilhas do imitador barato de Jigsaw.

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Espiral – O Legado de Jogos Mortais tem estreia prevista para o dia 17 de junho.

Nota: 2/5

Assista ao trailer:

Veja também: Crítica | Aqueles Que Me Desejam a Morte

About author
Estudante de Cinema e Audiovisual na Universidade Federal Fluminense. 22 anos.
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