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Crítica | Dark – 3ª Temporada

Série alemã original da Netflix, “Dark” tornou-se um dos maiores sucessos da história do streaming e chega ao seu terceiro e último capítulo com um status inegável e uma popularidade estratosférica. Idealizada por Baran bo Odar e por Jantje Friese, a enigmática aventura temporal encerra a sua trajetória com uma satisfatória e viciante trama que entrega, paralelamente ao iminente apocalipse, uma das maiores e mais emocionantes series finale de todos os tempos.

O fim é o começo. O começo é o fim. No início do último ciclo para a cidade de Winden, uma intrigante narrativa que transcende os conceitos de tempo e espaço cerca Jonas (Louis Hofmann) que, recém-chegado a um mundo completamente novo, tenta entender como todas as coisas estão realmente conectadas e o que elas significam para o seu destino. Preso em suas próprias obscuridades, o viajante encontra trevas e luz enquanto protagoniza uma trágica história de amor com o seu oposto complementar e assiste as realidades coexistentes trabalharem para encontrar a origem, quebrar o ciclo e evitar o apocalipse.

A pergunta não é como, mas quando. E, acima de tudo, em qual mundo. Dentre tantos segredos e loopings, a contínua e interessante complexidade narrativa desamarra cada laço já atado e, com um quê de ternura no meio de todo o caos que assombra os moradores da não tão pacata cidade alemã, mostra que o universo inteiro não é nada além de um nó gigantesco do qual não há escapatória.  

Dark
Dark – 3ª temporada / Netflix

Alfa e Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro, Jonas e Martha. Utilizando-se das afirmações de Einstein, “Dark” qualifica o tempo como uma “essência macabra, como uma dimensão que não pode ser quantificada”. Uma ilusão de que o ontem, o hoje e o amanhã não são entidades separadas, mas um fluxo contínuo que ainda não foi entendido. Apoiando-se em tais premissas e anexando o conceito de realidades paralelas, a série assume um ritmo inicialmente mais tenro, divergindo da segunda temporada, uma vez que se compromete a dar sentido para tudo o que é transmitido e a difundir a sensação de que é realmente o fim dos tempos. A construção preenche todas as lacunas de informação possíveis a fim de disponibilizar, em seu final, a conclusão mais épica que poderia ter sido criada. O caminho até o clímax é completamente explorado. Tudo vale a pena.

Como em uma gradação, a terceira temporada de “Dark” é o seu auge, o amadurecimento total de uma trama cuidadosamente construída sobre a história de peões, em um tabuleiro de xadrez, guiados por uma mão desconhecida. Vivendo literalmente três vidas – de acordo com a mitologia construída ao longo da série -, os personagens finalizam a primeira com a perda da ingenuidade em si, a segunda com a perda da inocência e a terceira, finalmente, com a perda da própria vida – sendo, esta última, o foco do arco narrativo do vindouro apocalipse que destruirá Winden e dizimará grande parte de seus moradores. Os questionamentos, os motivos e os fins nunca foram tão bem desenvolvidos e encaixados como são neste último capítulo. Um prazer audiovisual ininterrupto, cativante e, quiçá, eterno.

Dark – 3ª temporada / Netflix

Serenidade para aceitar o que não se pode mudar, coragem para mudar o que se pode e sabedoria para saber a diferença. Qualidade inegável e personagens apaixonantes, não é só a trama que torna “Dark” uma das melhores séries do streaming. Mais do que em suas duas primeiras temporadas, são os detalhes do capítulo final da jornada do tempo que chamam a atenção e, juntamente com a epicidade que a conclusão já carrega consigo, revelam uma direção de arte magnífica capaz de deixar qualquer espectador de boca aberta.

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Devidamente apresentados ao novo mundo no qual a história de Jonas irá se desenvolver, percebemos o “espelho” que ele é da Winden original. Seja nas características físicas dos personagens, nas relações sanguíneas entre eles e até na arquitetura da nova realidade – que é completamente invertida quando comparada ao que estávamos previamente acostumados – os oito episódios finais lançados pela Netflix são capazes de despertar um prazer revigorante no espectador e um sentimento de agradecimento pela construção precisa de um meio visual que facilitasse o entendimento da complexa obra de Baran bo Odar e de Jantje Friese. As versões temporais de cada personagem e todas as suas respectivas divergências são únicas e indispensáveis.

Dark – 3ª temporada / Netflix

Dramático e emocional, o encerramento da trilogia é uma carta de amor a qualquer fã apaixonado. Com espaço suficiente para cada personagem, secundário ou não, brilhar à sua maneira, nada é deixado de lado e tudo parece ser suficiente. Fugindo da obviedade e pulando de cabeça em dezenas de reviravoltas incríveis, “Dark” não é uma série que você assiste, é uma série que você resolve. E, junto com ela, chegamos à única conclusão possível: tudo está conectado.

Entrada, saída. Começo, fim. Bom, mal. Moldado pelo dualismo, nosso pensamento enxerga tais pares como opostos. No entanto, essa premissa está errada. Tudo é a mesma coisa, um ciclo infinito. Assim como o fim é o começo e o começo é o fim.

Nota: 5/5

Assista ao trailer:

Veja também: Crítica | Coisa Mais Linda – 2ª temporada

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Estudante de Cinema e Audiovisual na Universidade Federal Fluminense. 20 anos.
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