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Crítica | Coisa Mais Linda – 2ª Temporada

Produção brasileira original da Netflix, a segunda temporada de “Coisa Mais Linda” retorna ao streaming aprofundando-se na trama que aborda a ascensão da bossa nova, o racismo e o empoderamento feminino na década de 1960, no Rio de Janeiro.

Inspirada, inicialmente, em um verso de “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, “Coisa Mais Linda” retorna às telas do Brasil e do mundo em uma trama tão bela e tão carioca que te mareja os olhos e não dá alternativa a não ser maratonar os seis episódios de uma vez só.

Nesse novo capítulo sobre as quatro amigas do Rio de Janeiro e o seu famoso clube de música, o espectador é novamente mergulhado no drama íntimo da vida de Malu (Maria Casadevall), Theresa (Mel Lisboa), Adélia (Pathy DeJesus) e Lígia (Fernanda Vasconcellos) – depois de o mundo delas virar de ponta cabeça com os tiros assassinos de Augusto (Gustavo Vaz), na orla da praia, em plena na noite de ano novo. Na virada da década, as protagonistas voltarão a enfrentar os gargalos de uma sociedade machista e preconceituosa, enquanto lutam para conquistar, com muita luta e suor, o seu lugar de direito.

Coisa Mais Linda
Coisa Mais Linda – 2ª temporada / Netflix

“Coisa Mais Linda” – que se recusa a perder o DNA marcante que a fez se sobressair dentre tantas séries do streaming – retorna para a sua segunda temporada com ainda mais pautas para discussão, enquanto mantém na mesa o seu foco na música e na união feminina. Nesse sentido, com a chegada do novo ano, acompanhamos um grupo que chora a morte de uma pessoa próxima e que lida com a iminente perda de seu clube – à medida que o mesmo é tomado das mãos de Malu por seu marido, Pedro, que retorna à capital carioca e clama os seus direitos sobre o local.

Desenvolvendo-se como um presente a todos os fãs, a produção torna-se um palco e uma voz para tantos problemas sociais que são constantemente negligenciados. Na medida certa, as protagonistas – batizadas no jeitinho carioca tão conhecido e amado pelo mundo – ganham ainda mais espaço para crescer e amadurecer, oferecendo qualidades e particularidades marcantes que agregam muito valor à série e a tornam um deleite de assistir. Em seu segundo ano, Malu, Adélia e Theresa se afirmam como uma tríade definitiva, apaixonante e inspiradora – e ainda mostram que têm o público em suas mãos, enquanto interpretam papéis que aparentemente foram moldados para elas.

No entanto, as peças da engrenagem que mantém a máquina funcionando, dessa vez, são os personagens secundários que foram criados de forma tão precisa quanto cada música de Tom Jobim. Garantindo mais espaço em uma trama leve e divertida, somos presenteados com mais tempo de tela de Ivone, Capitão, Duque e Roberto, que se mostram essenciais para todas as histórias de música e de amor que são contadas ao longo dos seis episódios inéditos lançados pela Netflix. Nada faria sentido ou seria tão prazeroso sem tais ilustres presenças.

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Coisa Mais Linda – 2ª temporada / Netflix

Deixando-se levar pelo som da bossa nova, a segunda temporada de “Coisa Mais Linda” é tão necessária quanto uma caminhada na beira do mar em um domingo de manhã. Propositalmente incômoda, por vezes, por retratar tão fielmente e sem obstruções temas tristes e ultrajantes de uma sociedade historicamente machista e racista, o novo ano da aclamada série brasileira é mais um grande acerto para o cinema e para o audiovisual nacional e consegue entregar uma peça formidável que dificilmente sairá do imaginário de seus espectadores.

Capaz de aquecer o coração – na mesma medida que entristece pelo longo tempo de espera por uma parte três -, os ingredientes de “Coisa Mais Linda” foram misturados na medida certa e são, definitivamente, o sabor mais agradável que já provei em muito tempo.

Nota: 5/5

Assista ao trailer:

Veja também: Crítica | Bloodshot

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Estudante de Cinema e Audiovisual na Universidade Federal Fluminense. 20 anos.
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